Literatura portuguesa
A literatura portuguesa não possui o caráter orgânico e evolutivo da literatura grega, nem a feição prática e utilitária da romana, mas nem por isso deixa de ser original e independente, pois que em mais de um momento de sua história traduz com exatidão o sentimento e as aspirações da alma popular e sabe interpretar os grandes interesses do país, refletindo ao
mesmo tempo as correntes literárias que circulam na Europa. Pertence ao grupo das literaturas européias que formam a unificação mental fixada pelo Renascimento e dirigida pela França que, fundindo os elementos antigos com o elemento franco, se encontrou em magníficas condições para reunir sob tipos comuns aos povos da raça latina e à Inglaterra e Alemanha, as crenças germânicas e as greco-latinas.
Nascendo na Idade Média, com a independência do reino, assimilou desde logo os elementos tradicionais da antiga cultura dos romanos, godos e árabes os quais, fundindo-se na Península, fornecem a base primitiva e popular da cultura nacional e lhe dão unidade e coesão. Essa base, porém, é aprimorada sucessivamente pelo progresso do espírito nacional, que imprime originalidade e feição particular aos produtos literários, e pela influência das correntes literárias dos povos em comunicação com Portugal que a aproxima dos tipos comuns, obrigando-a a seguir nos seus diferentes períodos a marcha dos povos que constituem a unificação. Assim é que nos séculos XIII e XIV a literatura portuguesa acompanhou a corrente francesa; no século XV a espanhola; no século XVI a italiana; no século XVII outra vez a espanhola; no século XVIII outra vez a francesa; no século XIX o romantismo dominou todas as literaturas da Europa e no século XX o modernismo e outras correntes. Atendendo ao desenvolvimento histórico da língua, aos progressos do espírito nacional e à influência das correntes literárias, a história da literatura portuguesa pode agrupar-se em quatro grandes eras: Era Medieval, Era Clássica, Era Romântica e Era Contemporânea.
1. ERA MEDIEVAL: Principia com a constituição definitiva da unidade nacional e termina com o século XV, quando a língua perde a feição arcaica. Neste período a literatura, influenciada pela França e Espanha, ê notada pelo extraordinário desenvolvi· mento da poesia trovadoresca, pela vasta circulação novelística, pela multiplicidade das tradições latinas e pelo aparecimento dos primeiros ensaios históricos. Compreende o Trovadorismo e o Humanismo.
A) Trovadorismo: cantigas de amor e de amigo, de escárnio e de maldizer; os cancioneiros (da Ajuda, da Biblioteca Nacional, da Vaticana).
B) Humanismo, quando surgem os primeiros cronistas, teatrólogos como Gil Vicente e poetas como Garcia de Rezende. Cronistas: Fernão Lopes, Gomes Eanes, Azurara e Rui de Pina. Novelas de Cavalaria, o teatro de Gil Vicente.
2. ERA CLÁSSICA: Abre pelo Renascimento literário. É influenciada pela Itália, Espanha e França. Fixa em definitivo a língua portuguesa. Apresenta os mais belos modelos na poesia épica, lírica e dramática, na historiografia e na oratória do púlpito, e só termina com os primeiros rebates do romantismo. Está a era clássica também dividida entre Quinhentismo (15271580), Seiscentismo (1580-1756) e Setecentisrno (1756-1825). Ao Quinhentismo pertencem poetas como Bernardim Ribeiro, autor de Menina e Moça e colaborador do Cancioneiro Geral de Garcia de Rezende; Sá de Miranda, introdutor do classicismo em Portugal, autor de sonetas, comédias e éclogas; Antônio Ferreira, grande representante do teatro clássico em Portugal, autor de Castro, Bristo e dos Poemas Lusitanos; o historiador João de Barros; o notável poeta lírico e épico Camões, autor de Os Lusíadas, uma das obras máximas da literatura universal; Fernão Mendes Pinto, aventureiro, militar e comerciante, autor da famosa Peregrinação. O Seiscentismo ou Período Barroco começa com a submissão de Portugal à Espanha, seguindo-se a perda da autonomia política e decadência cultural. Os três maiores nomes do Seiscentismo são Frei Luís de Sousa, Pe. Antônio Vieira e Pe. Manuel Bernardes (Luz e Calor, Nova Floresta etc.), o teatrólogo Antônio José de Silva (O Judeu), autor de Guerras do Alecrim e da Manjerona; Soror Maria Alcoforado e o poeta Francisco Rodrigues Lobo. O Arcadismo ou Setecentismo começa com a fundação da Arcádia Lusitana e termina com a publicação do poema Camões, de Almeida Garrett. Entre os maiores representantes dessa corrente literária, destacam-se Cruz e Silva, autor do poema épico Hissope; Francisco Manuel do Nascimento (Filinto Elísio) e Manuel Maria Barbosa du Bocage, poeta de transição, um dos maiores de Portugal, sonetista dos mais famosos.
3. ERA ROMÂNTICA: Tem início historicamente com a publicação do poema Camões, de Almeida Garrett, escrito em decassílabos soltos. Outras obras de Garrett: Dona Branca (poesia), Um Auto de Gil Vicente, Frei Luís de Sousa (teatro); Viagens na Minha Terra (romance); Alexandre Herculano, autor de Eurico, O Presbítero, O Monge de Cister, O Bobo, Lendas Narrativas, além de vários volumes de história; Antônio Feliciano de Castilho, poeta melancólico, autor de A Noite no Castelo, Ciúmes do Bardo, Amor e Melancolia; Camilo Castelo Branco, romancista (Amor de Perdição, Amor de SalvaçãO, Novelas do Minha, Eusébio Macário, A Brasileira de Prazins) e poeta (Inspirações, O Juízo Final), considerado um mestre da linguagem; Latino Coelho e Júlio Dinis (A Morgadinha dos Canaviais, As Pupilas do Senhor Reitor, Uma Família Inglesa). Em 1865 estoura a Questão Coimbrã, quando os ideais dos escritores novos se chocam com os defendidos pelos mais velhos, e termina pelo surgimento do Realismo, cujo maior representante na poesia seria Antero de Quental, por muitos considerado o maior poeta português depois de Camões e Fernando Pessoa, e na prosa Eça de Queirós, autor dos romances O Crime do Padre Amaro, O Primo Basílio, Os Maias, O Mandarim, A Relíquia, A Ilustre Casa de Ramires, A Cidade e as Serras. Obras de Antero de Quental: Sonetos de Antero, Odes Modernas (poesia), Bom Senso e Bom Gosto prosa); Guerra Junqueiro, poeta e político, autor de A Velhice do Padre Eterno, Finis Patriae, Pátria, Os Simples; Fialho de Almeida, autor de O País das Uvas, Pasquinadas, Vida Irônica; o historiador Oliveira Martins, Teófilo Braga, professor de literatura e político; Ramalho Ortigão etc. O Simbolismo seria inaugurado em 1890, em Portugal, com a publicação do livro Oaristos, de Eugênio de Castro. Antônio Nobre (Só), viria a tornar-se o mais famoso dos simbolistas.
4. ERA CONTEMPORÂNEA: No início do século lideram o movimento modernista em Portugal dois dos maiores poetas desse país: Mário de Sá-Carneiro e Fernando Pessoa, diretores da revista Orfeu, importante porta-voz do Modernismo. A chamada primeira geração modernista contava com Sã-Carneiro (Dispersão, Indícios de Oiro); Pessoa (Mensagem, Poesias de Fernando Pessoa, Poesias de Álvaro de Campos, Poemas de Alberto Caeiro, Odes de Ricardo Reis etc.), Almada Negreiros e Luís de Montalvor; ao segundo grupo, que se reuniu em torno da revista Presença, pertencem: José Régio (As Encruzilhadas de Deus), João Gaspar Simões, Branquinho da Fonseca, Adolfo Casais Monteiro (Noite Aberta aos Quatro Ventos, Poemas do Tempo Incerto (poesia), crítica etc.) e Miguel Torga (Diário, Bichos, A Criação do Mundo). Outros modernistas: Florbela Espanca (Juvenília. Livro de Mágoas, Livro de Soror Saudade, Charneca em Flor etc.), considerada urna das mais importantes figuras femininas da literatura portuguesa; Aquilino Ribeiro, romancista e contista; Luís Sobral, Antônio Boto. Ferreira de Castro (A Selva, Emigrantes, Terra Fria, O Instinto Supremo). Importantes nomes da literatura portuguesa contemporânea são, entre outros: Fernando Namora, José Gomes Ferreira, Afonso Duarte, Alves Redol, Vergílio Ferreira, Joaquim Paço D’Arcos, Natércia Freire, Natália Correia, David Mourão-Ferreira, Urbano Tavares Rodrigues, Irene Lisboa, Augustina Bessa-Luís, Alexandre O’Neill, Herberto Herder, Vitorino Nemésio, Carlos Queirós, Mário Dionísio, Maria Teresa Horta, Jorge de Sena, Mário Cesariny de Vasconcelos, Rogério de Freitas, Manuel da Fonseca, Santos Fernando.


Setembro 19th, 2007 em 7:05 pm
é d+ esse saite
Setembro 25th, 2008 em 2:44 pm
Na literatura do Seiscentos foi esquecido igualmente um grande autor: Francisco Manoel de Melo.