Realismo
Como tendência literária, o realismo consiste na subordinação, por um lado, do estilo ao objeto narrado, e, por outro, de todos os elementos do conteúdo às circunstâncias da realidade. Opõe-se, portanto, às formas românticas retóricas e expressionistas da dicção, bem como às temáticas que versam sobre o irreal e o fantástico, segundo Cirlot.
Ainda sobre o realismo, escreve Chernichevski, em 1855: “A imitação da vida é característica normal de toda arte e faz parte da sua essência; por outro lado, além de refletirem a vida, as obras de arte valem também como depoimento e juízo sobre as coisas da vida”.
Lado a lado com o desenvolvimento industrial, que proporcionava novos hábitos de vida, e à afirmação das ciências (a Física, a Química, a Psicologia, a Biologia), que exigiam sensíveis alterações de comportamento do homem, vai-se desenvolvendo uma nova concepção literária, exigência do momento histórico. Assim é que os escritores terminam por abandonar o romantismo e surgem novas idéias sobre poesia, romance, crítica, filosofia. Surge o Realismo.
O REALISMO PORTUGUÊS. (1865-1890) - Escreve o professor Massaud Moisés (A literatura Portuguesa): Nos anos seguintes a 1860, desencadeia-se uma profunda reviravolta na vida mental portuguesa: o Romantismo, exausto, agonizante como estilo de vida e de arte, começa a sofrer os primeiros ataques por parte da nova geração que surge. Mais uma vez é Coimbra que serve de trincheira para os revolucionários, com a diferença de que o grito rebelde parte agora da massa estudantil, alvoroçada pelas idéias vanguardeiras dum Proudhea, dum Quinet, dum Taine, dum Renan … Nesse clima, em 1864, Teófilo Braga publica dois livros de versos: A Visão dos Tempos e as Tempestades Sonoras. No ano seguinte Antero de Quental publica as Odes Modernas. Ainda em 1865 Pinheiro Chagas solicita a Castilho (chamado ironicamente de”ditador das letras”) para prefaciar-lhe o Poema da Mocidade, trabalho ingênuo e ultra-romântico. Mas Castilho louva o autor e, de modo desairoso, faz referências aos jovens de Coimbra, para resumir: “Deixando de parte, por agora, Braga e Quental, de que, pelas alturas em que voam, confesso, humilde e envergonhado, que muito pouco enxergo nem atino para onde vão, nem avento o que será deles afinal …”
Antero de Quental resolve responder a Castilho, e o faz de forma desabrida e irreverente, no folheto Bom-Senso e Bom Gosto, terminando: “Levanto-me quando os cabelos brancos de V. Exa. passam diante de mim. Mas o travesso cérebro que está debaixo e as garridas e pequeninas coisas que saem dele confesso não merecerem, nem admiração, nem respeito, nem ainda estima. A futilidade num velho desgosta-me tanto como a gravidade numa criança. V. Exa. precisa menos cinqüenta anos de idade, ou então mais cinqüenta anos de reflexão”.
Estava armada a polêmica, que ficou conhecida por Questão Coimbrã ou, ainda, pelo título do folheto de Antero. Estava preparado o terreno para o surgimento do Realismo que deu, entre outros: Antero de Quental (um dos maiores poetas portugueses de todos os tempos), Teófilo Braga, Eça de Queirós, João de Deus, Guerra Junqueiro, Fialho de Almeida, Oliveira Martins, Gomes Leal, Ramalho Ortigão e Cesário Verde (parcialmente ligado à poesia realista).
O REALISMO BRASILEIRO - A partir de 1860 começam a surgir reações aos moldes românticos. E sobrevém o Realismo.
Ao contrário dos românticos, para o realista “a razão e a inteligência reagem contra o coração; o escritor ausenta-se de sua obra, tornando-se um observador impermeável; despindo-se até certo ponto de sentimentalismos, o autor procura refletir a vida em sua obra”.
Alguns escritores levaram ao máximo o Realismo, seguindo as pegadas do romancista francês Émile Zola, tornando-se “naturalistas”: Aluísio Azevedo, Júlio Ribeiro, Inglês de Sousa, Raul Pompéia (segundo alguns autores, Pompéia não chega a ser naturalista, é apenas realista), Adolfo Caminha. Cultores do romance realista são: Machado de Assis (primeiramente romântico, como poeta e romancista) em várias obras: Memórias Póstumas de Brás Cubas, Quincas Borba, Dom Casmurro, Memorial de Aires etc.; Manuel Antônio de Almeida, com Memórias de um Sargento de Milícias (para Mário de Andrade um escritor de obra inclassificável, ao lado de grandes autores picarescos da 1iteratura universal). Na poesia o Realismo tomou a denominação especial de Parnasianismo.
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