Ceticismo ou Cepticismo
Doutrina segundo a qual pode o homem chegar a qualquer conhecimento indubitável.
Na Antigüidade grega o ceticismo é precedido da sofística, que, com Górgias e Protágoras, se baseia na negação da própria verdade objetiva. O primeiro cético, o célebre filósofo Pirro, espírito prático, venerado por todos os seus concidadã os de Elis, recusa-se a qualquer asserção dogmática e contenta-se em dizer: “Parece-me.”…
Nos tempos modernos, o ceticismo serve de “mole almofada” a Montaigne, de argumento a Pascal e a Huet a favor da fé cristã e a Bayle a favor do livre exame. Não tem relação alguma com a “dúvida provisória”, puramente metódica e incompleta, no entanto, de Descartes; com o “materialismo” de Berkeley; mas resulta do exame feito por David Hume dos princípios racionais, considerados, por ele como simples hábitos do espírito, por conseqüência sem valor para o conhecimento das coisas extrafenomenais.
Kant combate esta forma moderna do ceticismo, substituindo a ciência, fé, em matéria metafísica. Diz um historiador da filosofia: “O ceticismo, irrefutável em teoria, pode prevalecer na prática contra as pretensões dogmáticas a uma certeza absoluta, mas não contra a ‘certeza moral’ ou crença, indispensável ao valor objetivo de certos princípios que permitem a indução científica. Pode duvidar-se da existência das entidades metafísicas, mas a dúvida não pode ir até ao absurdo e à inércia: o ceticismo pode opor-se vitoriosamente à certeza absoluta, não à crença científica e moral”.
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